quinta-feira, 13 de maio de 2010

M de Paixão

Isso é que é tema, falou a borboleta com olhos esquisitamente fixos e brilhantes, esfregando as mãos e com um tom de voz ansioso. Assustador, né? A morte é assim pra muita gente: amedrontadora.
Pra mim, assustador mesmo é não poder dizer tudo que quero sobre esse tema e, o pior, é que já sei que não é possível dizer tudo, dar conta de tudo é o impossível, eis a ferida humana, a falha, a falta. A primeira pequena morte: não ser completa. A vida é cheia de pequenas mortes: sonos e orgasmos entre elas, pra vocês irem vendo que a morte tem lá suas benesses. Mas, enfim. Quando vi morte me arrepiei. Podia falar de um dos meus blogs preferidos. Podia, podia, mas não vou. Dava pra falar de cinema e as mortes marcantes como a de Don Corleone ou da mãe do Bambi. Podia, podia, mas não vou. Podia falar das guerras em homenagem à Gabi, podia falar de morrer de amor ou de saudade - mas não vou para poupar Li e Lica, podia falar do livro da Marguerite Duras " a doença da morte", podia falar das mortes que já me mataram um pouco, podia falar das alheias mortes que temo.
Mas não. Direi apenas (apenas????) que morrer é bem vindo. Porque morrer é ter vivido. Ou o mais perto disso que alguém pode chegar. Todo dia, o dia todo, a morte está em mim, como vida, paixão, desejo, ardor, esperança. Vontade. Disse o Freud: cada organismo tem seu jeito próprio de morrer. Isso, pra mim, é lindo. Dolorosamente lindo. E verdadeiro como as palavras do Vinícius: "a gente mal nasce, começa a morrer (...) sei lá, sei lá, só sei que é preciso paixão, sei lá, sei lá, a vida tem sempre razão".


3 comentários:

Lica disse...

Tu também está em decomposição?

Danielle disse...

kkkkkkk
só borboleta pra falar lindamente da morte!

Gabi disse...

concordo com a mamãe, até a morte a borboleta consegue fazer ficar linda! estou me divertindo a beça essa semana! kkk